terça-feira, 30 de outubro de 2012

Estado diz que método para construção do metrô em Ipanema vai minimizar impacto em praça

30/10/2012 - O Globo

O governo do estado negou, por meio de nota divulgada nesta terça-feira, que na Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, será usado o método "vala aberta" para a construção de uma estação da Linha 4 do metrô. Segundo o comunicado, a estação será escavada pelo método "cut and cover invertido, com escavação sob laje". O método escolhido permite que o serviço seja realizado sob a laje, de maneira subterrânea, minimizando o prazo de interdição da área.

A nota responde ao grupo Projeto Segurança de Ipanema, coordenado pela moradora do bairro Ignez Barretto, que defende a aplicação do método "Arco Cellulare" nas obras do metrô. Após análise, o governo do estado concluiu que a proposta do grupo não seria adequada, porque "sua utilização demanda a escavação de poços de acesso nas extremidades da praça para execução do tratamento do solo e inserção de estacas horizontais. Tais poços estariam localizados exatamente nos locais com maior incidência de árvores de grande porte, que, no método adotado pelo Estado, não têm que ser retiradas".

Além disso, o governo explica que, em se tratando de um solo onde há presença de areia, o método sugerido pela associação poderia gerar rupturas no terreno da praça, impedindo que a praça permanecesse aberta ao público durante a construção da estação e aumentando os prazos e custos da obra.

O grupo, no entanto, informou que "o mesmo o método invertido ocasiona o sacrifício de árvores centenárias, pois em um primeiro momento os métodos são semelhantes, por acontecer a vala aberta". Ignez alegou, ainda, que um poço poderia ser localizado no centro da praça onde se encontra o monumento, sem nenhuma árvore. "Outros poços menores poderiam ser feitos nas extremidades, por fora da praça,sem sacrifício de nehuma árvore, para servir de acesso à estação final", acrescentou a coordenadora do grupo.

O governo informou também que a tecnologia proposta pelo grupo é mais recomendada para solos coesivos, o que não ocorre na Zona Sul, onde existe a presença de areias — solo não coesivo, granular e com alta permeabilidade. Segundo o estado, qualquer falha no tratamento do solo nestas areias poderia gerar rupturas no terreno da praça, o que recomendaria a manutenção do fechamento da praça.

Para Ignez, a ruptura nas areias pode se dar em qualquer parte do traçado, em Ipanema e no Leblon, tanto no local das estações como nos túneis escavados.

Após o governo informar que a utilização do método proposto pelo grupo de Ipanema implicaria maior prazo e maiores custos para a obra da estação, os moradores disseram que "os prazos maiores podem acontecer em qualquer das estações e no próprio túnel pois, além dos riscos da ruptura das areias, ao longo do traçado devem ocorrer bolsões de argila mole, que implicam em tratamentos adicionais". Ignes Barreto explicou, ainda, que "quantos aos custos, achamos que a maior parte das compensações ambientais orçadas na licença de instalação (R$ 1.569 milhão) serão gastos nas estações, com essa metodologia".

Os moradores que protestam contra o projeto querem que o consórcio e o governo apresentem um projeto e métodos alternativos para a construção da estação. Eles já fizeram várias manifestações e conseguiram um abaixo-assinado com mais de 19 mil adesões para mudar os locais de acesso à estação, previstos para o calçadão no entorno da praça.

Na sexta-feira, a obra havia sido interrompida, menos de uma semana depois do início da instalação dos tapumes na Praça Nossa Senhora da Paz. O consórcio Rio Barra, responsável pelo projeto, chegou a retirar todos os operários do canteiro, acatando uma decisão da Justiça. No entanto, o governo do estado conseguiu que o Tribunal de Justiça suspendesse a liminar que havia mandado paralisar a obra do trecho sul da linha 4 do Metrô Rio. O estado alegou que houve três anos de estudos e projetos para a realização da construção que vai ligar a estação General Osório, em Ipanema, à Barra da Tijuca. A ação cautelar que pediu a paralisação foi movida por seis moradores que fazem parte do Projeto Segurança de Ipanema.


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