segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Acordo deve viabilizar conclusão da Linha 2, que chegará à Praça Quinze

21/12/2015 - O Globo, Selma Schmidt

Um acordo firmado na semana passada entre o secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osorio, e a direção da concessionária MetrôRio deve desengavetar o projeto de conclusão da Linha 2, com a construção de um trecho entre o Estácio e a Praça Quinze, passando pela Cruz Vermelha. A concessionária contratará o projeto de engenharia, que custará R$ 25 milhões e ficará pronto em agosto de 2016. A maior parte da obra também deve ser bancada pela iniciativa privada. Com o término das intervenções, acabará a superposição das linhas 1 e 2 entre a Central do Brasil e Botafogo, que funciona desde 2009.

- O projeto definirá custo, prazo e método construtivo. Pela estimativa inicial, com o término da Linha 2, mais 400 mil usuários poderão usar o sistema. Queremos iniciar a obra em janeiro de 2017, assim que entregarmos a estação da Gávea, da Linha 4. Em troca dos recursos investidos, a MetrôRio poderá ter o prazo de concessão estendido. Porém, isso dependerá do estudo, que levará em conta o aumento do número de passageiros. A Fundação Getulio Vargas vai assessorar o estado para que seja formulada a proposta de reequilíbrio do contrato - explica Osorio.

A conclusão da Linha 2, segundo o secretário, deverá resolver o problema da superlotação e diminuir o intervalo entre os trens. Estão previstas cinco estações no percurso complementar. Duas delas, Estácio e Carioca, foram construídas considerando a expansão, em dois níveis. Terão que ser feitas as estações de Catumbi, Cruz Vermelha e Praça Quinze.

- Essa obra não necessitará de financiamento nem de aporte do caixa do estado. Vamos utilizar o patrimônio imobiliário do metrô para a contrapartida, seja vendendo, arrendando ou criando um fundo imobiliário com as áreas remanescentes do sistema.

'METRÔ ENGESSADO'

Fundador do movimento "O metrô que o Rio precisa", Atílio Flegner afirma que a junção das linhas 1 e 2 foi um erro grave, pois limitou a capacidade do sistema:

- O metrô opera hoje de forma engessada, muito restrito à sua capacidade. A Linha 1 foi projetada para receber trens de seis carros. Já a Linha 2 foi dimensionada para operar com trens de oito carros e intervalos de cem segundos. Como a Linha 2 entra na Linha 1, só pode operar com trens de seis vagões. Isso corta violentamente a possibilidade de redução dos intervalos entre as composições.

Flegner ressalta que a superlotação é um problema muito sério em todos os modais, embora no metrô do Rio se apresente de forma pior:

- A inauguração da Linha 4 (General Osório-Barra) vai agravar esse problema. Gostaria de lembrar que sempre me mostrei contrário ao traçado adotado pelo governo para a Linha 4. Esse percurso, na verdade, é um esticamento da Linha 1, uma segunda gambiarra. Osorio discorda: - Nos primeiros meses após a inauguração da Linha 4, os usuários vão saltar na General Osório para embarcar num trem da Linha 1, que terá condições de absorvê-los. E parte dos novos trens chineses (15), com ar-condicionado 33% mais potente, operará, nesse período de transição, na Linha 1, para dar mais conforto aos passageiros. Quando não houver mais baldeação, todos circularão só na Linha 4.

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