segunda-feira, 23 de novembro de 2015

RJ estuda projeto para expandir metrô até a Zona Portuária

Linha ligaria Gávea ao porto, usando traçado da antiga linha 4. Plano metroviário do estado será apresentado em março

18/11/2015 - G1 Rio  

Marcelo Elizardo

Plataforma da Estação Carioca, exibida hoje (18) à
Plataforma da Estação Carioca, exibida hoje (18) à imprensa
créditos: Marcelo Elizardo/ G1

A Secretaria Estadual de Transportes estuda a criação de mais uma linha do metrô que ligaria a Zona Sul até a Região Portuária do Rio. O projeto usa o traçado antigo da linha 4, que começa na Gávea e passa por Jardim Botânico, Humaitá e Laranjeiras. A diferença é que a linha não acabaria no Largo da Carioca, mas sim na Região Portuária.

Com o traçado da nova linha 4 ligando Ipanema à Barra da Tijuca, o projeto em estudo teria outro nome. A possibilidade de levar o metrô até a Zona Portuária é cogitada em razão do virtual crescimento da região, após a conclusão das reformas.

"Quando pensamos em fazer a linha saindo da Gávea, passando por Jardim Botânico, Humaitá, a única dúvida era onde esta linha deveria terminar. Seria em Botafogo? Na Carioca? Mas devido ao crescimento daquela região, passamos a estudar que a linha termine no porto", explicou o secretário de transportes, Carlos Roberto Osório.

A Secretaria de Transportes vai apresentar até março de 2016 o novo plano metroviário do Rio de Janeiro, que projeta o crescimento do metrô para os anos seguintes. Até lá, o destino final será escolhido entre Botafogo, Largo da Carioca e Zona Portuária.

Novas estações

A Secretaria de Transportes anunciou ainda a expansão da linha 2 do metrô até a Praça XV, nesta quarta-feira (17). Os trens agora sairão da Pavuna com dois serviços. O que liga o bairro a Botafogo, na Zona Sul, que já opera atualmente, e outro que passado por Estácio, Catumbi, Praça da Cruz Vermelha, Carioca e Praça XV.

No novo serviço, os trens não dividirão mais as plataformas com os da linha 1. Para isso, as estações Catumbi, Praça da Cruz Vermelha e Praça XV serão construídas. A estação Estácio vai utilizar o segundo nível de trilhos do terminal. Já a Carioca vai colocar em operação a plataforma "fantasma", construída em 1980, mas que nunca foi concluída. Ela fica um nível abaixo da atual plataforma da Carioca.

"É uma obra de bom custo benefício. Terá a maioria de seu aporte privado, já que a concessionária terá retorno de mais 400 mil passageiros e precisaria construir apenas mais 3,7 quilômetros de trilhos. O aporte público será pequeno", explicou Osório.

Já visando a possível extensão do metrô até a Zona Portuária, a estação Praça da Cruz Vermelha já ficará com a estrutura pronta para receber uma possível futura intervenção. Neste caso, ela se tornaria também uma estação de integração.

Ampliação em 2017

A expectativa da pasta é que novo trecho para o trajeto da linha 2 do metrô do Rio de Janeiro seja ampliado a partir de 2017. “Essa obra é a mais importante do sistema metroviário do Rio de janeiro e nós temos uma expansão da linha, 2, ou seja, a linha já é concessionada e nesse momento está sendo elabordo o projeto de engenharia que fica pronto em agosto, quando teremos o custo, o projeto e o cronograma de obras. A intenção do governador Pezão é, ao término das obras da linha 4 do metrô, iniciar as obras da linha 2, mantendo empregos e, claro, servindo a população. Hoje nós sabemos que a linha 2 está saturada”, disse Osório.

O secretário de transportes esclareceu ainda que a ampliação do trecho poderá diminuir os intervalos das duas linhas que já existem. “Essa obra é fundamental porque ela vai permitir que os trens da linha 2, que hoje se entrelaçam com os trens da linha 1, cheguem direto ao centro da cidade, que é o destino da grande maioria dos passageiros. Com isso, nós vamos reduzir os intervalos, a partir da Pavuna. Isso vai também melhorar a redução dos intervalos da linha 1 e nós vamos poder trabalhar com trens de oito carros. Todas as estações da linha 2 têm trens de oito carros, as da linha 1 têm seis carros.

Com essa extensão e com os trens chegando direto no centro da cidade, nós vamos passar a ter oito carros e a previsão é 400 mil passageiros a mais na linha 2", explicou.

O custo da obra será dado, de acordo com Osório, com o projeto de engenharia. "Esse projeto, em termos de infraestrutura no Brasil, é aquele que tem o melhor custo-benefício. São apenas 3,7 km, cinco estações – duas delas já estão prontas, Estácio e Carioca, – que já foi construída duplicada na década de 1970 prevendo a chegada da linha 2. A nossa expectativa é que parte desse custo seja coberto pela iniciativa privada pela quantidade de passageiros carregados e isso vai viabilizar a obra em um momento de dificiculdade da economia brasileira e, principalmente, do estado", concluiu.

Plataforma 'fantasma'

Segundo o governo, o projeto da ampliação da linha 2 vai usar uma plataforma abandonada desde 1979, construída no nível original da Linha 2, que deveria se estender até a Praça 15.

“O mais incrível é que falta muito pouco para desafogar o sistema. Somente 3,7 km de trilhos. E duas estações: Praça da Cruz Vermelha e Praça Quinze”, destaca o estudante de arquitetura Atílio Flegner, que teve acesso ao local. 

Flegner, o engenheiro Luiz Henrique Barroso e o jornalista Miguel Gonzalez visitaram, junto com o engenheiro Fernando MacDowell, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC) e ex-diretor do Metrô, a estação "fantasma" na sexta-feira (13) e ficaram surpresos com o que encontraram, como revelou reportagem publicada no jornal "O Dia".

“A estrutura para a extensão da Linha 2, a plataforma dos passageiros, escadas e acessos estão praticamente prontos. Tem trechos que já receberam acabamento de pastilha nas paredes. A obra está parada desde a década de 1980 por falta de investimentos. O que é mais incrível é que o governo do estado preferiu investir na construção da estação Cidade Nova e na Linha 4 até a Barra da Tijuca”, lamenta o estudante.

Flegner, Barroso e Gonzalez há tempos se interessam pelo transporte público e em seus blogs levantam questões como a necessidade de se melhorar a mobilidade urbana, o que inclui investir em transporte de massa como o metrô. Eles tentaram fazer a visita durante dois anos. A autorização aconteceu depois que eles tiveram um encontro com o secretário de Estado de Transportes, Carlos Roberto Osório.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Governo e prefeitura tentam fechar acordo para tarifa única em ônibus e metrô

18/11/2015 -  O Dia - RJ

COLUNA INFORME DO DIA

Rio - O governo do estado e a prefeitura tentam fechar com empresas de ônibus e com o Metrô Rio acordo que estabeleça tarifa única para utilização dos dois meios de transporte. A medida é considerada fundamental para a integração da Linha 4 do metrô, que irá até a Barra, com o BRT Transoeste.

Carlos Roberto Osorio, secretário estadual de Transportes, diz que os governos buscam uma passagem que tenha valor inferior à soma das tarifas do metrô (R$ 3,70) e do Bilhete Único Carioca (R$ 3,40). O problema é que os empresários querem receber o valor cheio das passagens, e a prefeitura não aceita subsidiar o sistema.

Subsídio

O modelo seria parecido com o da integração entre ônibus intermunicipais e trens: o passageiro paga R$ 5,90 para usar os dois modais. Mas este sistema é subsidiado pelo governo estadual que, por ano, destina R$ 600 milhões para as concessionárias.

Botafogo também possui plataforma pronta de metrô sem utilização

18/11/2015 -  O Dia - RJ

Rio - A plataforma secreta nas profundezas da Estação Carioca do metrô, erguida desde os anos 80 e nunca utilizada, como O DIA mostrou nesta terça-feira, não é a única que o governo estadual começou a construir e não terminou. Há mais de 20 anos, moradores de Botafogo cobram uma estação que chegou a ser escavada nas proximidades do Shopping RioSul e que ganharia o nome de Morro de São João.

Ao olhar pela janela do metrô entre as estações Cardeal Arcoverde e Botafogo, neste sentido, é possível ver uma plataforma e a caverna escavada. O blog ‘Metrô do Rio (não oficial)’ divulgou imagens recentemente.

"A estação ficou apenas com sua estrutura em rocha, faltando o acabamento e seus acessos. Também falta construir a plataforma do andar inferior, já que o trem que segue para Botafogo passa por cima do que vai para Copacabana”, explica Miguel Gonzalez, jornalista autor do blog e pesquisador do tema.

O acesso à estação Morro de São João seria na Rua Álvaro Ramos, onde hoje há uma base temporária da Polícia Militar. A escavação foi feita durante a expansão do metrô de Botafogo para Copacabana, nos anos 90.

"O governo tentou fazer uma parceria público-privada com o shopping para viabilizar a construção, mas não foi à frente devido aos custos”, lembra o engenheiro Licínio Machado, da Associação de Moradores de Botafogo. A associação estima que 50 mil moradores seriam beneficiados com a estação, sem contar trabalhadores do bairro.

O engenheiro de Transportes Alexandre Rojas, da Uerj, ressalta que a estação foi deixada de lado porque não havia demanda. Procurada, a Secretaria Estadual de Transportes não comentou.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Rio tem uma estação fantasma do metrô pronta há mais de três décadas

17/11/2015 - O Dia

Abaixo da Carioca, metrô tem área com plataforma que nunca foi usada

GUSTAVO RIBEIRO

Rio - Cadeiras, latas de tinta e garrafas de plástico continuam intocadas, do jeito que foram deixadas há 34 anos. Como se o tempo tivesse parado por ali, ainda há canos, uma bomba d’água, peças de uma escada rolante nunca instalada e placas na cor laranja, que indicariam onde seria a baldeação da Linha 2 para a Linha 1. Atenção, senhores passageiros: vamos explorar as profundezas mais ocultas da estação Carioca do metrô.

Por trás da porta de acesso, há uma área esquecida. A entrada só foi sinalizada pelo MetrôRio no último mês de agosto
Foto: Divulgação / Luiz Henrique Barroso

Desde 1981, quando as obras da estação terminaram, uma plataforma localizada a 40 metros de profundidade da Avenida Chile (15 metros abaixo das plataformas atuais) está pronta, com acabamento em pastilhas nas paredes. Mas ficou sem uso durante todo esse tempo, já que ali seriam realizados o embarque e o desembarque da Linha 2, cujo projeto original, de 1968, que previa a ligação Estácio — Carioca — Praça 15, nunca foi concluído.

Os detalhes da plataforma fantasma foram revelados por três amigos que visitaram o lugar na última sexta-feira e divulgaram seus relatos na internet. A intenção do grupo era dar à população a noção do desperdício para que as pessoas pressionem o governo para conclusão da obra.

No subterrâneo escondido da Estação Carioca repousam estruturas para a colocação de escadas rolantes, paredes com acabamentos em pastilhas e 100 metros de túneis
Foto: Divulgação / Luiz Henrique Barroso

O jornalista e administrador Miguel Gonzalez, 38 anos, expressou suas impressões sobre o passeio no blog “Metrô do Rio”, que escreve há sete anos. “Encontramos mais do que esperávamos. A estrutura da estação está toda escavada e construída. As salas internas, de segurança, de repouso, de manutenção, refeitório e banheiros para funcionários estão prontos”, contou ele, lembrando que o projeto foi modificado, e a estação abandonada, por falta de recursos na época.

Vigas sobre a plataforma
Foto: Divulgação / Luiz Henrique Barroso

“Além das plataformas, há mais uns 100 metros de túnel em direção à Rio Branco. Os acessos ao mezanino da estação e à plataforma da Linha 1 estão prontos. As escadas foram construídas. Só faltou colocar as escadas rolantes (os espaços estão reservados para tal) e abrir as paredes”, detalhou, lembrando que dois terços da estação ainda precisariam ser concluídos.

Segundo o engenheiro Luiz Henrique Barroso, 35, o refeitório citado por Miguel tem o tamanho de uma quadra de futebol de salão. “Pena que jamais tenha sido servida uma refeição ali”, lamenta. Ele brigou por dois anos pela autorização para conhecer o ‘esconderijo’. Chegou a recorrer à Controladoria-Geral da União, alegando direito ao acesso de informações públicas, sem sucesso. Ganhou recentemente a simpatia do secretário de Transportes, Carlos Roberto Osorio, e conseguiu.

Ligação Estácio-Carioca-Praça 15
Foto: Arte: O Dia

A Linha 1A (ligação São Cristóvão - Cidade Nova - Central, criada em 2009 para acabar com a baldeação no Estácio) nunca existiu no projeto. Vários engenheiros sinalizaram que a solução para reduzir os intervalos e acabar com os congestionamentos era concluir a Linha 2”, lembra Luiz Henrique, autor da página do Facebook “Aguardando Liberação do Tráfego à Frente”. Também visitou o local o estudante Atílio Flegner, 21.

O engenheiro de Transportes Fernando Mac Dowell ressalta que o projeto original do metrô previa intervalos de 100 segundos na linha 2, que teoricamente opera com intervalos de 4 minutos, quando não há atrasos. “O problema é que uma linha funciona com piloto automático e a outra, não. Os intervalos não são mantidos e chegam a 8 minutos às vezes. Isso seria resolvido separando as duas linhas”, afirma.

De acordo com MacDowell, um dos responsáveis pelo projeto do metrô, a estação toda custou cerca de R$ 300 milhões em valores atualizados. O governador Luiz Fernando Pezão já afirmou que vai dar sequência às obras da Linha 2 até a Praça 15 a partir do ano que vem, quando for concluída a Linha 4. Procurada, a Secretaria Estadual de Transportes não se manifestou. Os aventureiros acessaram uma das escadas que conduzem ao local por meio de uma porta localizada no início da plataforma lateral da linha 1, sentido Ipanema.