quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Tatuzão volta a fazer escavações no Rio de Janeiro

10/11/2014 - O Globo

Após ficar cerca de seis meses fora de atividade, o Tunnel Boring Machine (TBA), conhecido como tatuzão, voltou a fazer escavações na Rua Barão da Torre, em Ipanema, na obra do metrô que ligará o bairro à Barra. De acordo com o Consórcio Linha 4 Sul, a máquina escavou cerca de um metro e, até dezembro, chegará à Praça Nossa Senhora da Paz. O trabalho na região tinha sido parado na madrugada do dia 11 de maio, quando duas crateras se abriram na via, entre os números 132 e 138.

Nesta segunda-feira, um novo buraco surgiu na rua, na calçada da Escola Municipal José Linhares, por volta das 9h, pouco tempo depois de o tatuzão ser religado. A área foi isolada e, segundo o consórcio, "não há qualquer relação entre as obras e o surgimento do buraco na Rua Barão da Torre". Ainda segundo a empresa, "de acordo com informações da Cedae, a origem do problema foi um pequeno vazamento de esgoto numa rede de 150 mm de PVC, causado por uma obstrução de um ramal do prédio que fica em frente ao local onde surgiu o buraco. A tubulação foi desobstruída pela Cedae e o buraco fechado. O vazamento ocorreu próximo ao número 82 e o buraco tinha cerca de 0,5 m de diâmetro. O local da ocorrência está fora da área de influência da escavação do túnel do metrô em Ipanema com o 'Tatuzão'. Os trabalhos seguem em condições normais, conforme planejado".

Também em nota, a Cedae confirmou que "houve um vazamento em ramal predial, causado por obstrução do prédio em frente, que já foi solucionado". O buraco já foi tampado.

Quando o tatuzão entrou em operação, a artista plástica Heliana de Carvalho Brandão, que mora na Rua Barão da Torre, em frente ao local onde o equipamento está posicionado, acordou assustada com a vibração em seu apartamento.

— Olhei para a mesa e o copo de água estava balançando. Como não sabia que o Tatuzão voltaria a operar hoje, desci assustada para avisar que algo errado estava acontecendo. Foi quando me explicaram que ele tinha voltado a escavar. Estou assustada — disse ela.

No edifício 123, moradores colocaram cartazes com pedido de socorro na portaria. De acordo com o engenheiro civil Wady Addum, que vive no prédio, a mensagem é um apelo para que não ocorra nenhum desastre com a retomada das escavações. No mesmo edifício, a moradora Maria Célia, de 80 anos, conseguiu que a empresa colocasse janelas acústicas em seu imóvel para amenizar os barulhos provocados pela obra.

— Ficamos sabendo agora que o Tatuzão voltou a operar. A empresa não tinha dito nada até esta manhã, não está agindo com transparência. Todas as vezes que perguntei no balcão de informações não sabiam responder ao certo — disse o engenheiro.

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Segundo o consórcio, o trabalho segue como o esperado desde o dia 16 de outubro, quando o tatuzão foi religado, sem entrar em atividade. A empresa informou que o tratamento do subsolo da Rua Barão da Torre foi feito com injeções de calda de cimento e o terreno atingiu a coesão anterior ao incidente em maio. A Linha 4 reforçou ainda que foi necessário realizar o rebaixamento do lençol freático para diminuir a pressão da água durante o processo de escavação, e não há risco para as edificações localizadas no entorno da obra. Ainda segundo o consórcio, o rebaixamento na via fez parte do conjunto de serviços adicionais iniciados no dia 9 de outubro, que antecederam a volta a do tatuzão.

De acordo com a área de engenharia do consórcio, o equipamento demorou cerca de um mês para voltar a escavar: "trata-se de medidas como o acionamento dos sistemas elétricos, eletrônicos, mecânicos e hidráulicos do equipamento, além de verificação de sistemas e limpeza manual da câmara da máquina, retirando o material escavado que ali estava. Também foram feitos ajustes e limpeza nos dentes da cabeça de corte do Tatuzão. Somente após a conclusão desses procedimentos é que as escavações puderam ser retomadas."

Sobre as queixas dos moradores, que reclamam da falta de um cronograma, a empresa informou que, após a passagem do tatuzão, a via será devidamente reurbanizada e liberada. Entretanto, a data não foi divulgada.

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