segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Tatuzão da Linha 4 do Metrô Rio entra em fase de testes

28/10/2013 - G1

O Tatuzão, equipamento que vai perfurar os túneis da linha 4 do metrô, já está em fase de testes, como mostrou o RJTV neste sábado (26). A máquina alemã é capaz de escavar de 15 a 18 metros por dia. Com 2 mil toneladas e 120 metros de comprimento, o Tatuzão é quatro vezes mais rápido que os equipamentos já utilizados em outras obras na cidade.

A previsão é que o Tatuzão comece a escavar os túneis em dezembro, partindo da estação General Osório, em Ipanema. Segundo a prefeitura, mais de 300 mil pessoas vão usar diariamente a linha 4 do metrô.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

O vagão para mulheres só anda para trás

23/10/2013 - Carta Capital

Segregar transporte público é sugerir, como outrora, que mulheres são culpadas pela própria sexualidade e pela dos homens

Por Marília Moschkovich

No Rio de Janeiro já funciona há 7 anos, no metrô, um vagão exclusivo para mulheres. Desde o meio deste ano, o metrô do DF adotou a mesma medida e um projeto de lei tramita no estado de São Paulo para que o mesmo seja feito. O "vagão rosa", como é conhecido em alguns lugares, já foi implementado no Japão, Egito, Índia, Irã, Indonésia, Filipinas, México, Malásia e em Dubai. Geralmente funcionam assim: nos horários de pico apenas ou prioritariamente mulheres podem ocupar o espaço do vagão. Isso garantiria, a princípio, que não fossem assediadas nos trens.

O fato de apenas países de cultura sabidamente machista terem implementado esse tipo de política pública não é uma coincidência. Observando um pouco mais de perto a questão, fica claro que além de não resolver nada e reforçar a heteronormatividade e o próprio machismo, os vagões exclusivos ainda fomentam uma outra forma de opressão de gênero. Acompanhem meu raciocínio.

Assédio, em todos os níveis

Quem nunca viveu ou viu uma situação de assédio em transporte público lotado? Em geral os assediadores aproveitam-se da superlotação dos trens para agir. Na cabeça dessas criaturas bizarras, as mulheres são corpos disponíveis, que existem no mundo para agradá-los. Essa é a faceta mais perversa do machismo estrutural, reproduzida e reforçada por homens que muitas vezes, na melhor das intenções, se dizem feministas: a ideia de que eles podem pautar o corpo e o comportamento das mulheres de alguma forma. Esse princípio está por trás de textos machistas do escritor Xico Sá, de versos de Vinicius de Moraes, mas também orienta ações como a de estupradores e assediadores (físicos e verbais) em todos os dias de nossas vidas.

Recentemente a força que esse princípio tem na cultura brasileira ficou evidente, quando os resultados da campanha "Chega de Fiu-Fiu", do blog ThinkOlga, foram divulgados. Houve muita resistência de diversos homens em aceitar que aquela cantadinha que parece inofensiva acaba limitando a liberdade das mulheres de andarem como quiserem, por onde quiserem, na hora que quiserem. A grande maioria se recusa ainda a entender que nós mulheres não queremos sua opinião sobre como nos vestimos, sobre nossa aparência física, exceto em alguns contextos muito específicos. Quer dizer: novamente, as mulheres existem para os homens, na cabeça de tais espíritos sem luz.

O assédio é frequente, em diversos níveis. Qualquer mulher sabe disso, na pele. Então por que uma medida que (em tese) visa combater o assédio é mal-vista por tantas feministas? As feministas endoidaram de vez?

Os problemas da política dos vagões exclusivos

Para o azar de quem nos odeia, nós feministas ainda não perdemos de vez o bom senso. Vejam só: ao propor a separação de homens e mulheres como solução para o assédio, a política dos vagões exclusivos pressupõe três coisas – e é nessas três coisas que reside a opressão de gênero da questão.

Em primeiro lugar, os vagões exclusivos culpabilizam as mulheres pelo próprio assédio. A questão é abordada como se elas fossem o problema da coisa toda. Essa pressuposição fica clara na ideia de que as mulheres devem ser separadas da "população normal" (ou seja: homens; vejam lá Simone de Beauvoir com seu Segundo Sexo). Separar as mulheres – que são em geral as vítimas da agressão – significa dar liberdade aos algozes.

Quer dizer, os homens que assediam podem continuar assediando em outros espaços, sem que isso tenha nenhum tipo de punição. São comuns os relatos de recusa da segurança do metrô – e das polícias civil e militar – em tomar providências em casos de assédio. Muito comuns. Não é preciso ser nenhum gênio para encontrá-los no bom e velho Google (fica a dica).

Ao mesmo tempo as mulheres, que sofrem as agressões, são confinadas a um espaço limitado. Quer dizer: além dos assédios que limitam nossa liberdade, as políticas públicas que deveriam combatê-los fazem o mesmo. Não faz o menor sentido, não tem a menor lógica. Para sermos livres precisamos ser menos livres – é isso, mesmo?

Esse tipo de inversão cruel e bizarra acontece em várias outras situações de culpabilização das mulheres. Nas sociedades de cultura machista como a nossa, as mulheres são culpadas pela própria sexualidade – e pela sexualidade dos homens também. Assim, quando sofrem agressões, a solução é limitar, fiscalizar e controlar o corpo e as atitudes delas. Jamais o comportamento dos homens.

Daqui derivamos mais uma pressuposição problemática das políticas de vagões exclusivos: a de que seria natural dos homens não se controlarem sexualmente. Essa pressuposição é problemática em todos os níveis possíveis. Pra começo de conversa, porque trata o assédio e o estupro como se fossem parte do sexo, como se estivessem relacionados a desejo sexual e não a uma opressão e a uma questão de poder (três textos excelentes sobre isso, se você ainda não leu: no Biscate Social Club, na revista Fórum e no Bidê Brasil).

Além desse problemão, a proposta de segregar vagões nos diz que o fato de alguém "ser homem" (o que quer que isso queira dizer – falo brevemente disso em seguida) faz com que necessariamente vá assediar e estuprar mulheres. Não preciso dizer o quão irreal é essa suposição, certo? Há muitos homens que não estupram e um bom tanto que não assediam, nem o farão ao longo de sua vida. Só não arrisco dizer que são maioria ou minoria porque, de fato, não há dados estatística e sociologicamente confiáveis sobre isso (lembrando que ser condenado criminalmente por algo não significa que a pessoa realmente fez, nem que quem não foi condenado deixou de fazer).

Ainda mais fora da realidade do que isso, é a terceira suposição implícita nas políticas de vagões exclusivos para mulheres: a de que homens necessariamente têm desejo sexual por mulheres, e vice-versa. Chamamos essa pressuposição de "heteronormatividade", e ela aparece também em vários outros contextos em nossa sociedade.

Separar as mulheres dos homens no transporte público, além de tudo que já mencionei, ainda reforça essa ideia retrógrada e surreal de que a heterossexualidade e heteroafetividade são o "normal", o "natural", e de que relacionamentos gays e lésbicos são exceção, aberração, etc. Ou seja, no fim das contas, políticas como essa do vagão exclusivo estão muito mais para Marco Feliciano do que para Simone de Beauvoir. Sacaram?

Ao criar esse vagões, assumimos que não haverá "desejo sexual" (ainda supondo que seja essa a questão do assédio – que, sabemos, não é) entre mulheres. Nem entre homens. Fingimos que também não existem vários tipos de assédio contra outras minorias no transporte público e no resto da sociedade brasileira (quem lembra de um adolescente que foi jogado de um trem por skinheads que encasquetaram que ele era gay, há uns anos atrás, em São Paulo?). Não vou nem me atrever a tocar na questão dos estupros corretivos a gays e lésbicas.

Dentro dessas minorias outras, talvez a que mais de ferre com essa separação dos vagões sejam os homens e mulheres trans*. Além dessas três suposições problemáticas das políticas de vagões exclusivos, então, temos mais um problema grave que elas alimentam: como definir quem é mulher e quem não é? Quem tem esse poder?

Na semana passada, uma mulher foi expulsa do vagão exclusivo no metrô do DF porque os seguranças do metrô "decidiram" que ela não era mulher. A definição dessa categoria – "mulher" – não é nada simples, e filósofas, antropólogas e militantes feministas de diversas áreas e profissões debatem exaustivamente a questão há décadas. Certamente na legislação dos vagões não há uma definição sequer sobre o que qualifica alguém de "mulher" e portanto dá acesso ao tal vagão exclusivo.

A classificação acaba sendo feita arbitrariamente pela aparência, portanto. Mas é a aparência que define se alguém é ou não é mulher? Definitivamente, não. O que define o gênero das pessoas é a identidade que cada um constrói para si com o passar dos anos. Dar aos seguranças do metrô o poder de definir quem é mulher, é retirar de cada um a possibilidade de viver sua identidade e sua expressão de gênero. É uma forma de dominação das mais abusivas e cruéis.

Sem nem entrar na discussão de que a identidade de gênero não precisa ser binária (homem ou mulher), e nem fixa para a vida toda, já temos bastante motivo ver que os vagões exclusivos são uma violência contra quaisquer pessoas que não sejam homens cissexuais, de aparência e comportamento lidos como suficientemente "masculinos".

O vagão exclusivo para mulheres é, portanto, um retrocesso para as relações e opressões de gênero de todos os tipos, já tão consolidadas na cultura brasileira. Tudo o que não precisamos agora, enquanto tramitam o estatuto do nascituro e outros absurdos no Congresso, é de retrocesso.

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Marília Moschkovich (@MariliaMoscou) é socióloga, militante feminista, jornalista iniciante e escritora; às segundas-feiras contribui com o Outras Palavrasna coluna Mulher Alternativa. Seu blog pessoal é www.mariliamoscou.com.br/blog.

MetrôRio transportou mais de 3 milhões durante a JMJ

30/07/2013 - Revista Ferroviária

Milhões de pessoas participaram da Jornada Mundial da Juventude, para atender essa demanda o MetrôRio preparou um esquema especial de atendimento que teve início às 7h de quinta-feira (25/07) e foi encerrado à 0h de segunda-feira para terça-feira, foram 127 horas de operação ininterrupta. 

A empresa contabilizou que desde terça-feira (23/07), até a 0h de segunda para terça, mais de 3 milhões de passageiros fizeram seus deslocamentos para os eventos em Copacabana através do sistema metroviário. 

Durante a Jornada, sistema de metrôs do Rio operou com 42 trens e utilização eventual de mais três trens extras. Esta frota realizou 4.250 partidas. Nos horários mais carregados de retorno dos eventos, a concessionária recebeu quase sete passageiros por segundo. Vale ressaltar que no horário de pico, nas principais estações (Cardeal Arcoverde, Siqueira Campos e Botafogo), o fluxo de entrada era de 500 passageiros por minuto, o correspondente a lotação de 10 ônibus.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Orçamento do governo do Rio prevê gastar R$ 3 bi com metrô em 2014

16/10/2013 - O Globo, Luiz Ernesto Magalhães

As obras para a escavação de túneis e abertura de seis novas estações entre Ipanema e o Jardim Oceânico que levarão o metrô da Zona Sul para a Barra da Tijuca - a Linha 4 - exigirão investimentos de R$ 3 bilhões do governo do Estado do Rio em 2014. O valor corresponde a cerca de 25% dos R$ 12,1 bilhões que o estado projeta ter disponíveis para gastar com infraestrutura, no último ano do governo Sérgio Cabral.

A proposta orçamentária do estado para o ano que vem começa a ser debatida nesta quarta-feira, em uma audiência pública da Comissão de Orçamento da Assembleia Legislativa (Alerj).

- O prazo para o metrô ficar pronto é 2016, devido à realização dos Jogos Olímpicos. Por isso, em 2014, o valor investido terá que ser bem elevado, a fim de cumprir o cronograma - explicou o secretário estadual de Planejamento, Sérgio Ruy Barbosa, que participará da audiência.

A proposta encaminhada pelo governo à Alerj projeta uma receita de R$ 75,9 bilhões para o ano que vem, a ser repassada ao governo, ao Legislativo e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). O valor representa um aumento de 5,67% em relação à previsão para este ano. Dos R$ 12,1 bilhões orçados para investimentos, R$ 7,87 bilhões deverão vir de empréstimos de instituições como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Caixa Econômica Federal, Banco Mundial (Bird), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), entre outras.

Oposição quer reduzir remanejamento

Por enquanto, tudo na proposta orçamentária é consenso, até porque o governador tem a maioria na Assembleia. A bancada de oposição na Alerj vai tentar aprovar emenda para reduzir a margem de remanejamento que o governador terá do orçamento.

A proposta enviada ao Legislativo prevê uma margem de até 25%. Normalmente, o percentual aprovado corresponde a 20% das receitas. Mas, para o deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB), a margem de remanejamento deveria ser ainda menor, a fim de reduzir o espaço que o governo tem para decidir sozinho onde investir, sem a interferência dos deputados.

- A receita de R$ 75,9 bilhões está apenas um pouco acima das projeções que o estado previa em junho. Mas a grande crítica que eu tenho é em relação à margem de remanejamento. Até se a margem de remanejamento aprovada for de 20%, já é muito. Como boa parte das receitas obrigatoriamente têm que ser aplicadas em vários projetos, o que sobra para remanejar na realidade fica muito abaixo disso. O Legislativo aprova o orçamento mas, na prática, o estado fica com liberdade para decidir onde investir sem contestação - disse Luiz Paulo.

Recursos do PAC no projeto somarão R$ 2,7 bilhões

A proposta orçamentária prevê também investimentos de R$ 2,7 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os recursos serão destinados a uma nova etapa das obras de infraestrutura na Favela da Rocinha e à urbanização do Complexo do Lins. Este, recém-ocupado, vai receber duas novas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

Para os preparativos para os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo, estão previstos R$ 22,6 milhões em recursos. Uma parte dessa verba irá para a conclusão de uma nova estação de integração entre as composições do Metrô e da Supervia, nas proximidades do Maracanã.
Gasto com pessoal aumenta

Pelo projeto encaminhado à Alerj, está previsto um aumento de 12,27% nos gastos com pessoal, que passarão de R$ 29,9 bilhões para R$ 33,6 bilhões. Uma parte desse crescimento nos gastos cobrirá um reajuste entre 11,5% e 13% para 75 mil policiais civis, militares, bombeiros e agentes penitenciários, a partir de 1º de fevereiro. O percentual final dependerá da inflação acumulada pelo IPCA deste ano.

A proposta prevê ainda que R$ 17,7 bilhões da arrecadação com ICMS e royalties do petróleo sejam repassados para os 92 municípios do Estado do Rio. Para as áreas de segurança e educação estão previstos, respectivamente, R$ 91 bilhões e R$ 5,4 bilhões.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Obra da Linha 4 do metrô atinge tubulação da CEG no Leblon

13/06/2013 - O Globo

Devido ao problema, o quarteirão entre as avenidas Ataulfo de Paiva e Epitácio Pessoa teve de ser isolado

Vazamento de gas afetou o funcionamento de agência bancária Marcos Tristão / Agência O Glob

RIO - Uma tubulação da CEG foi atingida por uma retroescavadeira numa obra da Linha 4 do metrô no Leblon, na Zona Sul do Rio, na manhã desta quinta-feira. O acidente ocorreu por volta das 8h no canteiro da Estação Jardim de Alah, no cruzamento entre as avenidas Ataulfo de Paiva e Epitácio Pessoa. Houve vazamento de gás no local. Devido ao problema, o quarteirão entre as avenidas teve de ser isolado. Segundo a concessionária, o escapamento foi controlado e não houve impactos no trânsito.
Em nota, a CEG informou que a rede foi atingida acidentalmente durante as obras do metrô, e que apenas o prédio de número 31 da Ataulfo de Paiva teve o fornecimento de gás interrompido para reparos na rede. A companhia afirmou ainda que não foi necessário interromper o fornecimento em outros endereços do bairro.
O Consórcio Linha 4 Sul, responsável pelas obras do metrô, informou, também em nota, que o acidente aconteceu durante o trabalho de prospecção, que trata da identificação e remanejamento das redes subterrâneas. Segundo o consórcio, bombeiros isolaram preventivamente a área até a chegada da CEG. O local foi liberado assim que foi constatado que não havia riscos para a população.

Um gigante subterrâneo

09/07/2013 - Veja Rio, Ernesto Neves

Promessa de dias melhores para quem precisa se deslocar entre a Barra e o Centro, a Linha 4 do metrô vai entrar numa fase decisiva. A perfuração da rede de túneis chega em breve ao trecho mais complexo, entre Ipanema e a Gávea.'''''! .. C c " Para vencer a distância entre os dois bairros será usada uma máquina que impressiona por sua dimensão e tecnologia. Trata-se do tunnel boring machine, conhecido como tatuzão.

Comprado pelo governo estadual por 100 milhões de reais de uma empresa alemã, o equipamento será utilizado pela primeira vez no Rio. Trazidas da Europa de navio, as 120 peças do escavador desembarcaram por aqui em março. No momento, o tatuzão encontra-se na fase inicial de montagem. Ao longo deste mês seus módulos serão transportados até o canteiro de obras, no subsolo da Praça General Osório. Depois que todos os seus pedaços forem encaixados, ele será testado ao longo de setembro, com previsão de entrar em operação no mês seguinte. "É um método largamente empregado em metrópoles americanas e europeias. O túnel sob o Canal da Mancha, entre a Inglaterra e a França, foi feito assim", revela o engenheiro Alexandre Mahfuz, responsável pela coordenação do aparelho.

As ordens de grandeza da máquina são assombrosas. Com 120 metros de comprimento e altura equivalente à de um prédio de quatro andares, é o maior exemplar já utilizado na América Latina (veja o quadro). Para atuar no complicado subterrâneo carioca, o equipamento teve de ser construído com certas especificações. É dotado de dois sistemas de perfuração, um para terreno arenoso e o outro capaz de destruir rochas.

Ao contrário do método tradicional, o tatuzão não faz uso de explosivos. Sua capacidade de escavar galerias sem causar transtorno à superfície é considerada fundamental para esse trecho da Zona Sul, densamente ocupado e situado sobre frágil solo poroso. Em paralelo à escavação, a máquina conta com um sistema que instala automaticamente anéis de concreto ao longo do túnel, a fim de dar-lhe sustentação. Para evitar a movimentação do terreno durante o processo, a parte frontal do aparelho, onde fica a roda de corte, dispõe de alta pressão.

Assim, tal qual acontece em submarinos, os operadores que trabalham nesse setor precisam passar por uma câmara hiperbárica na transição entre os ambientes. Quem caminhar por Ipanema e pelo Leblon nos próximos meses não deverá nem notar, mas os subterrâneos dos dois bairros terão movimentação de operários, engenheiros e equipamentos quase tão frenética quanto as ruas da região.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Obras da Linha 4 do Metrô avançam a partir desta quarta-feira

15/10/2013 - Agência Rio

Da Redação

A obra para construção da Linha 4 do Metrô dará mais um passo a partir desta quarta-feira (16). Dando continuidade aos serviços de tratamento de solo na Rua Barão da Torre, em Ipanema, zona sul do Rio, o trecho entre as ruas Farme de Amoedo e Vinícius de Moraes será interditado e o acesso de veículos ficará restrito aos moradores. A alternativa para a circulação no bairro será trafegar pela Rua Nascimento Silva.

A sinalização será reforçada e agentes de tráfego trabalharão no local para orientar os condutores. A intervenção viária, definida em conjunto com a CET-Rio (Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio de Janeiro), durará até dezembro de 2013. Durante a intervenção, haverá proibição de estacionamento neste trecho.

Caso alguma garagem seja bloqueada durante o período, o Consórcio Linha 4 Sul, responsável pelas obras, disponibilizará vagas de estacionamento aos moradores dos edifícios impactados. Cada prédio será comunicado previamente sobre o fechamento.

Mais de 300 mil pessoas vão usar a Linha 4 do Metrô todos os dias

A Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro vai transportar, a partir de 2016, mais de 300 mil pessoas por dia e retirar das ruas cerca de 2 mil veículos por hora/pico. Com a nova linha, o passageiro poderá utilizar todo o sistema metroviário da cidade com uma única tarifa.

Serão seis estações (Jardim Oceânico, São Conrado, Gávea, Antero de Quental, Jardim de Alah e Nossa Senhora da Paz) e aproximadamente 16 quilômetros de extensão. A Linha 4 do Metrô entra em operação no primeiro semestre de 2016, após passar por uma fase de testes.

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domingo, 13 de outubro de 2013

Metrô estenderá horário de pico a partir de segunda-feira

13/10/2013 - Jornal do Brasil

A partir desta segunda-feira (14), o Metrô irá estender em uma hora a operação de trens nos horários de pico, que, dependendo da linha e do sentido, se dará entre as 5h30 e 10h30 na parte da manhã e 15h e 20h na parte da tarde. Com a extensão do horário de pico, o sistema operará por mais tempo com capacidade máxima de trens e a oferta de passageiros será ampliada em torno de 10 mil lugares diários por linha.

A medida serve para auxiliar ao plano de mobilidade urbana para o Centro da cidade durante as obras na região do Porto, divulgado nesta quinta-feira (10), pela Prefeitura. 

A Concessionária também colocou à disposição a Estação Estácio, que conta atualmente com capacidade ociosa estimada entre 6 mil e 8 mil passageiros a cada hora no período de pico. A estação poderá receber usuários das linhas de ônibus vindas da Ponte Rio-Niterói que terão seu itinerário desviado para o BRS Estácio/Carioca. 

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

De olho no traçado da Linha 4

09/10/2013 - O Globo

A espera é longa, e enquanto o metrô não chega, é possível conferir o andamento das obras com ajuda de recursos tecnológicos. No início do mês foi montado um espaço interativo na Avenida Epitácio Pessoa 365, Portão 8, entre os bairros Jardim de Alah e Ipanema, dedicado ao rumo da construção da Linha 4 (Ipanema/Gávea). A visita é gratuita e acontece de terça a sábado, das 9h às 19h. O ambiente conta com uma tela interativa que permite o público ter a sensação de estar dentro das escavações. O visitante ainda ganha uma foto com imagens das obras de fundo.

— Pensamos num espaço em que as pessoas possam se sentir dentro da construção, seja por meio de vídeos 3D ou interagindo com conteúdos em telas touch — explica a coordenadora de Comunicação do Consórcio Linha 4 Sul, Marcela Villas Boas.
Na etapa atual da obra em Ipanema, está sendo feita a concretagem da laje do acesso pela Rua Joana Angélica. Quando esse serviço for concluído, a superfície da praça será recomposta, e as escavações continuarão no subsolo. Segundo a concessionária, até meados de 2014, metade da Praça Nossa Senhora da Paz será devolvida à população. E no ano seguinte, a área de lazer será totalmente entregue, com suas características originais.

No canteiro do Jardim de Alah, assim como na Praça Antero de Quental, acontecem os serviços de impermeabilização e estruturação do solo, construção das paredes da estação e remanejamento de redes. Os prédios do entorno estão ganhando cortinas de proteção.

Na Gávea, em julho, foi instalado um canteiro de obras sobre parte do estacionamento da PUC, que está sendo ampliado gradualmente. Na estação que será erguida ali, também serão construídas duas plataformas independentes, o que possibilitará, futuramente, a implementação de linhas em direção ao Centro e à Tijuca sem interromper o funcionamento da Linha 4.

A obra, que começou em abril, a partir do campo de futebol da PUC com escavação em solo, chegou ao maciço rochoso, e novas detonações controladas estão sendo feitas na área.

Leitura compartilhada

Entre uma retirada de um bloco de concreto e outro, os cerca de três mil trabalhadores das obras da Linha 4 do metrô, no trecho Ipanema/Gávea, ganharam um espaço onde podem aproveitar o descanso lendo. No início do mês, foi inaugurada a primeira Biblioteca Rubem Fonseca no canteiro de obras da Praça Antero de Quental, com direito a visita do padrinho do projeto, autor de "Agosto", entre outros. O acervo, com a maior parte de doação feita por editoras, já conta com 550 livros. Para ampliar a troca de publicações, o consórcio Linha 4 Sul lançou a campanha "Doe livro, doe cultura", com três centrais para receber doações — duas no canteiro de obras em Ipanema (Avenida Epitácio Pessoa s/nº e Praça Nossa Senhora da Paz) e uma no Leblon (Praça Antero de Quental, ao lado da Rua Bartolomeu Mitre). As doações podem ser feitas de segunda a sexta, das 8h às 18h; e sábado, das 9h às 16h.

Morador de Magalhães Bastos, Iago Siqueira Santana, de 20 anos, é carpinteiro no canteiro da Antero de Quental. Ele trabalha há dez meses e já leu "Malu de bicicleta", de Marcelo Rubens Paiva. Agora está lendo "Elas e outras mulheres", de Rubem Fonseca.

— Um dia me chamaram para ajudar a construir uma casinha no canteiro. Enquanto cortava a madeira, perguntei o que ia ser ali e alguém me disse que seria uma biblioteca. Voltei quando vi a porta aberta. Peguei um livro romântico. Não era muito de ler, mas ler me ajuda a ser uma pessoa mais atenta — conta.

Ao final das obras será construído um espaço de leitura na Cruzada São Sebastião, onde ficará todo o acervo. A iniciativa faz parte do projeto "Rubem Fonseca", que desde maio disponibiliza exemplares nos canteiros de Ipanema, Leblon, Copacabana e Leopoldina.


Fonte: O Globo
Publicada em:: 09/10/2013