segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Puxadinho do metrô é opção equivocada

25/09/2011 - O Globo

O governo do Rio de Janeiro já está tocando as obras de extensão do metrô do Rio até a Barra da Tijuca, a partir de Ipanema, uma das mais importantes intervenções urbanísticas da agenda do poder público com vistas às Olimpíadas de 2016. Tanto quanto movimentar máquinas e operários, também avança a polêmica sobre o traçado escolhido para a nova rede, mobilizando forças da sociedade contrárias ou favoráveis à opção em curso.

A necessidade de aumentar a malha metroviária é um consenso, em razão das demandas de transporte da Região Metropolitana - que, se não forem atacadas com profundas e estruturais transformações na política para o setor, inviabilizarão de vez o sistema viário fluminense. Mas, se esse é um ponto em que há concordância geral da sociedade, o mesmo não se pode dizer do projeto escolhido para esticar a malha da Zona Sul à Zona Oeste. As críticas ao programa de expansão são consistentes e deveriam ser levadas em conta.

Recentemente, o Clube de Engenharia integrou-se à lista de críticos do projeto. Em carta ao governador Sérgio Cabral, a entidade defendeu a ideia de se fazer a expansão com vistas ao futuro aproveitamento da estação da Gávea, a ser construída, como cruzamento entre a atual Linha Um e a Linha Quatro, tal como previsto inicialmente.

A proposta do Clube reflete uma preocupação que se baseia numa realidade visível na rotina de superlotação e atrasos do metrô carioca. Mas, em lugar de conceber o desenvolvimento da rede metroviária a partir da criação de novas malhas, com a estação Gávea construída em dois níveis, o governo estadual optou por fazer uma espécie de "puxadinho" da atual Linha Um até a Zona Oeste. Ou seja, quando começarem a rodar no novo trecho, os vagões do metrô, em vez de desafogar um sistema sobrecarregado, agregarão mais passageiros, pressionando a atual demanda, que já compromete a eficácia da rede em operação.

Perde-se assim a oportunidade única de, graças às bilionárias inversões financeiras na infraestrutura da cidade, estimuladas pelos Jogos de 2016, o Rio promover em seu sistema metroviário melhorias substanciais, projetadas para superar deficiências presentes e suportar previsíveis pressões de aumento no número de passageiros no futuro. Isso sem falar no aperfeiçoamento global do sistema de transportes, no trânsito e no crescimento ordenado da cidade, prometidos legados das Olimpíadas e preocupação primordial do movimento que levou à candidatura carioca junto ao COI.

O documento do Clube de Engenharia, formulado por uma entidade que congrega especialistas na matéria, sugere que se abandone a opção equivocada e se volte ao projeto original. Do ponto de vista técnico, é viável alterar a concepção do plano de expansão do metrô. E, do ponto de vista dos interesses da cidade, a mudança é um imperativo. Caso contrário, a extensão da rede até a Barra poderá passar como mera intervenção para atender a vinte dias de competições esportivas em 2016, e não para enfrentar demandas de pelo menos mais vinte anos à frente.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

TCU pode autorizar obra da Linha 3 do RJ até dezembro

18/09/2011 - O Fluminense

O Governo do Estado está em compasso de espera para iniciar as obras da Linha 3 do Metrô, entre Niterói e Itaboraí, sede do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), que será inaugurado em 2014. Tendo já obtido as licenças ambientais do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), agora aguarda apenas a autorização do Tribunal de Contas da União (TCU), que deverá acontecer até dezembro.

“Já adequamos a obra ao que o TCU tinha pedido. Entregamos também as exigências de contrapartidas financeiras do Estado”, informou o vice-governador e coordenador de Projetos e Obras de Infraestrutura do Estado, Luiz Fernando de Souza, o Pezão.

O investimento será de cerca de R$ 1,2 bilhão, sendo R$ 400 milhões provenientes da Petrobras. O trajeto inteiro, com 37 quilômetros e 16 estações, será dividido em dois trechos: o primeiro, que liga Niterói a São Gonçalo, com 23 quilômetros e o segundo, com 14, que segue até Itaboraí, com uma parte feita por rodovia. Do primeiro, 18,8 quilômetros de vias serão elevadas e 4,2 quilômetros em superfície.

A Linha 3 beneficiará a população de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, que somam 1,7 milhão de habitantes, como mostra vídeo elaborado pelo governo. Transportará 350 mil passageiros por dia. A primeira estação é a Araribóia, no Centro de Niterói, onde será construído um terminal intermodal – o maior do Brasil, em área de 24 mil metros quadrados – projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, que será também estação de ônibus e de barcas, com capacidade para 650 mil passageiros por dia.

De Araribóia, a via passará sobre os acessos à Ponte Rio-Niterói. A segunda estação, no Barreto, será construída numa estação de trem desativada, que será revitalizada. No local será construído um pátio para pequenos serviços de manutenção dos vagões do metrô.

Todas as estações terão elevadores para portadores de deficiência, escadas rolantes e saídas de emergência. Com a Linha 3, o tempo de viagem de Itaboraí ao Rio de Janeiro, que hoje é de duas horas, vai reduzir para apenas 40 minutos. O custo da viagem, hoje calculado em R$ 5 em passagens de ônibus, será de apenas R$ 3, o preço do bilhete do metrô.

A Estação de Guaxindiba terá ligação para os municípios de Itaboraí, Tanguá, Rio Bonito, Cachoeiras de Macacu e Magé. Lá também haverá outro pátio para serviços de manutenção dos vagões. Em Itambi, distrito de Itaboraí, será feita uma via de acesso para transporte de cargas pesadas em direção ao Comperj. A última estação será a de Visconde de Itaboraí, próximo ao Complexo Petroquímico.

Segundo a Secretaria de Obras, o trecho que incluía um túnel subterrâneo atravessando a Baía da Guanabara pelo metrô ligando Niterói à Estação da Carioca, no Centro do Rio, foi descartado projeto por ser muito caro.

sábado, 17 de setembro de 2011

Novo prazo para a entrega dos trens do metrô

17/09/2011 -

Os novos trens começarão a ser testados apenas a partir de março do ano que vem

A chegada dos novos trens do metrô, prevista para agosto de 2010 e depois alterada para dezembro deste ano, teve um novo atraso. Agora, a primeira unidade chegará apenas em fevereiro do ano que vem, segundo o “RJ TV”, da Rede Globo. De acordo com a concessionária Metrô Rio, a empresa chinesa que fabrica os veículos pediu mais prazo porque peças de origem japonesa tiveram a entrega afetada pelo terremoto ocorrido no país em junho.

Com a alteração no cronograma, os novos trens começarão a ser testados apenas a partir de março do ano que vem.

— A partir de março, teremos quatro trens sendo testados simultaneamente. Acredito que em setembro do ano que vem seis já estejam em condições de operar — disse ao “RJ TV” Joubert Flores, diretor de Relações Institucionais do Metrô Rio.

Ao todo, serão novos 19 trens, com 117 vagões. Ontem, a Secretaria estadual de Transportes afirmou que pedirá punição rigorosa se confirmado o atraso. No ano passado, o governador Sérgio Cabral pediu à agência que regula os transportes no Rio que punisse a concessionária. A Agetransp informou ter multado em maio o Metrô Rio em R$374 mil. A concessionária recorreu.

Fonte: O Globo/RJ
 

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Linha 4: Clube de Engenharia pede ao governo mudança no traçado

O Globo, Renata Leite, 13/set

Enquanto as obras da Linha 4 do Metrô avançam na Barra e em São Conrado, a polêmica em torno do projeto ganha novas adesões. O Clube de Engenharia debateu o traçado apresentado pelo estado durante os últimos meses e elaborou uma carta, enviada ao governador Sérgio Cabral, em que sugere prolongamentos para as linhas para formar uma rede metroviária na cidade. Em outra frente, a vereadora Andrea Gouvêa Vieira (PSDB), que faz parte do movimento "O metrô que o Rio precisa", recolheu assinaturas de 12 parlamentares, entre vereadores e deputados, num documento que reivindica mudanças no projeto.

Andrea critica a falta de transparência dos planos do estado, que até o momento não apresentou os estudos de impacto e viabilidade econômica. O resultado dos estudos levou o governo estadual a modificar o desenho original, que passaria por bairros como Jardim Botânico, Humaitá e Laranjeiras. O projeto atual da Linha 4 cruza o Leblon e Ipanema. Em sua carta, o Clube de Engenharia também pede o acesso à pesquisa do traçado da linha e a todas as informações relativas à futura expansão da rede.

Miguel Bahury, ex-presidente do Metrô e atual conselheiro do Clube de Engenharia, diz que precisaria ter acesso aos estudos para entender o cálculo que levou o governo a optar pelo atual projeto.

Segundo a Secretaria de Transporte, o novo traçado da Linha 4 do metrô atenderá a 240 mil pessoas diariamente, o dobro do estimado para o percurso anterior. O órgão afirma através de nota, que os estudos coordenados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) serão apresentados à sociedade, no site do órgão, mas não define um prazo ou uma previsão para isso.

Tanto o Clube de Engenharia quanto o movimento "O metrô que o Rio precisa" defendem a criação de uma malha metroviária. Os grupos argumentam que a construção da Linha 4 como extensão da Linha 1 - como o governo vem implantando - resultaria em vagões ainda mais lotados, já que somaria à atual demanda passageiros da Barra e de São Conrado. Segundo eles, uma divisão na estação da Gávea, com traçados se dirigindo para o Jardim Botânico e para o Leblon, solucionaria o problema.

- Não somos contra o projeto do governo, mas não se pode ignorar o projeto original, porque a malha atual não suporta mais passageiros. Acredito ser viável construir a Linha 4 e prolongar a Linha 1 até as Olimpíadas, como a nossa proposta na carta - disse Bahury.

O presidente da Associação de Moradores do Jardim Botânico, Alfredo Piragibe, concorda com a proposta do Clube de Engenharia. Ele também integra o movimento "O metrô que o Rio precisa".

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Linha 3 do Metrô do Rio fica pronta até 2014

05/09/2011 - O Fluminense

A Linha 3 do metrô - que ligará Niterói, São Gonçalo e Itaboraí - será construída até 2014 e representará o primeiro percurso intermunicipal feito por este meio de transporte no estado. Com uma estação projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, a Linha 3 vai atender 1,7 milhão de moradores e servirá a 350 mil passageiros por dia.

O investimento na obra será de cerca de R$ 1,2 bilhão, sendo R$ 400 milhões oriundos da Petrobras. O trajeto inteiro, com 37 quilômetros e 16 estações, será divido em dois trechos: o primeiro, que liga Niterói a São Gonçalo, e o segundo que segue até Itaboraí, com uma parte feita por rodovia.

A primeira estação, Arariboia, terá cerca de 24 mil metros quadrados e vai integrar barcas, metrô e ônibus, tornando-se a maior estação intermodal do Brasil e a primeira a contar com uma saída hidroviária. O projeto, que será do arquiteto Oscar Niemeyer, fará parte do Caminho Niemeyer. A segunda parada do trajeto será a Jansen de Melo. Depois, para dar lugar à Estação Barreto, será revitalizada a antiga gare ferroviária, assim como seu entorno. Ao lado da estação, um grande pátio será utilizado para manobras.